Top 10: Mangás Shoujo (Parte 1)

Hora de falar de mangá! Essa semana percebi que não falei nada sobre mangás no blog ainda e senti muita vontade de escrever. O problema foi escolher apenas um título, já que eu já li muitos e sou fã de muitos. Então resolvi seguir a fórmula daquele post sobre séries de livros e fazer dois rankings: Primeiros dos meus shoujo’s preferidos e depois dos meus shonen’s preferidos.
Começando por uma breve explicação: Shoujo é o termo usado no Japão para os mangás voltados ao público feminino, em geral comédias românticas e dramas. Pra quem não conhece, não gosta ou tem algum tipo de preconceito, eu convido a abrir a cabeça e ler esse post (e o próximo sobre Shonen) até o final e dar sua opinião. E caso se interesse por um ou outro, dê uma chance e leia!


10° – Kimi ni Todoke
(Que chegue a você) – Karuho Shiina

kimi ni todoke-01

Só pra não perder o costume de começar reclamando, não curti muito a tradução do nome na versão brasileira. Eu li Kimi ni Todoke antes da publicação nacional (em 2011 pela Editora Panini) e o fansub traduzia como “Que eu te alcance”, que eu acredito ser mais próximo do sentido geral da frase, se formos pensar na personagem principal Sawako Kuronuma. Menina tímida e introvertida, Sawako acaba sendo incompreendida pelos colegas de classe, que a chamam de Sadako(como referência ao filme “O chamado”) e espalham boatos maldosos do tipo “Quem olhar nos olhos dela por mais de dez segundos será amaldiçoado” (o engraçado é que japoneses são supersticiosos e realmente acreditam nessas coisas).kimi ni todoke-02

Mas na verdade Sawako é uma menina doce que faz de tudo para ajudar os outros da sua maneira. A história gira em torno da sua busca para ser como Kazehaya, um colega que ela admira por sua gentileza e facilidade em fazer amigos, mas mal sabe ela que desde o começo Kazehaya a observava e já havia se apaixonado por sua bondade e inocência.

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Parece uma história idiota, e na verdade é! Mas além de extremamente FOFA os personagens são muito cativantes e a leitura é agradável. Não foi à toa que ganhou um prêmio de melhor mangá do ano no Japão, em 2008. Lembro que na época que eu li eu nem sabia porque tinha gostado tanto, só tinha cada vez mais vontade de continuar lendo. Fora que (pelo menos pra mim isso faz diferença) o traço é uma graça.

kimi ni todoke-03

Fizeram uma adaptação em longa metragem que eu particularmente não gostei, mas curti a escolha dos atores. Kimi ni Todoke é uma daquelas histórias de cotidiano sem uma trama específica, que vale como passatempo e relaxa. Recomendo pra quem curte comédias românticas bonitinhas.

9° –  Vampire Knight – Matsuri Hino

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Eu já achava o traço da Matsuri Hino lindo. Adorava copiar os detalhes, principalmente de roupas, cabelos e mãos (só não conseguia fazer o traço fino como o dela, fora que a minha finalização é muito rabiscada. Tem um aqui.), e eu já era fã dela depois de ler Meru Puri e Wanted (também li “Destino Cativo” mas não lembro se foi antes ou depois de Vampire Knight). Mas todos esses títulos que citei foram comédias românticas, o que me fez me surpreender um pouco com todo o dramalhão e clima pesado de Vampire Knight. Ao menos eu li antes de vir a temporada vampírica com Crepúsculo, Vampire Diaries e toda a enxurrada de vampiros e “vampiros”. Talvez todo mundo esteja cansado demais do tema para começar a ler esse mangá, mas eu era bem viciadinha na época em que li.

vampire knight-04 yuuki, zero e kaname

Yuuki é uma menina que não tem nenhuma memória de antes dos seus 10 anos, quando foi salva de um vampiro por Kaname Kuran (também vampiro, só que de uma família sangue-puro) e adotada por Kaien Kurosu, humano amigo da família Kuran. A história se passa no colégio fundado por Kaien com o objetivo de promover uma integração entre vampiros e humanos (o que eu acho um FAIL do mangá, já que os humanos NÃO SABEM que os alunos do turno da noite são todos vampiros). Então, Yuuki faz parte de uma espécie de “Monitoria”, para impedir que os alunos da manhã descubram o segredo e que haja qualquer problema entre as duas “raças”. Ajudando Yuuki nessa empreitada está Zero, um garoto que foi adotado por Kaien anos depois de Yuuki e cuja família de caçadores de vampiros foi assassinada por uma poderosa vampira sangue-puro. Nem preciso dizer que Zero nutre um ódio profundo por todos os vampiros e deseja se vingar.

vampire knight-03 yuuki e zero

Não quero falar muito pra não estragar (caso você queira ler) mas a história evolui e vai MUITO além disso. Há muitos segredos por trás do passado de Zero e da família Kuran, e você pode esperar por grandes surpresas na trama que, ao contrário de cof Crepúsculo cof outras histórias de vampiro por aí, não gira só em torno do triângulo amoroso Kuran-Yuuki-Zero.

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Destaque para as muitas cenas tesudas de explodir ovários (falei) de cabelos sendo puxados e pescoços sendo chupados. Aviso: perigoso para garotas que costumam se apaixonar por personagens. XD E, repito, o traço é lindíssimo (pra quem se importa).

Vampire Knight foi adaptado para anime mas eu não curti muito, achei mal feito. Mas gostei da musiquinha de encerramento, meio macabrinha e bem no clima melancólico do mangá.

8° – Paradise Kiss – Ai Yazawa

parakiss-01

Não tem como não amar e odiar o George. E isso já deveria ser argumento suficiente para você ler Paradise Kiss, além de ser, na minha opinião, a segunda obra prima da mestra Ai Yazawa, mesma criadora do sucesso “Nana”.

Ambientalizado no mundo da moda, o mangá gira em torno da colegial Yukari, que é muito pressionada pela mãe em relação ao vestibular e à sua carreira profissional. Mas Yukari não sabia bem o que queria até ser “achada” por acaso por um grupo de estudantes de moda que estão desenvolvendo uma marca chamada Paradise Kiss, ou Parakiss. Eles vêem o potencial de Yukari e a chamam para ser modelo no desfile onde apresentarão seu trabalho. O grupo é formado por Miwako, uma lolita fofíssima e peituda, Arashi, o punk, Isabella, o travesti mais glamuroso do mundo dos mangás e ele, o galã (na definição mais pura da palavra) da história: George.

yukari e george

Cabelo azul, jeito de Don Juan, senso de humor escroto, extravagância, sarcasmo extremo, piadinhas bisexuais e muito, muito charme – essas são algumas características que podem definir um dos personagens principais mais inesquecíveis do mundo dos shoujos.

O que me encanta na Ai Yazawa é a habilidade que ela tem de criar personagens TÃO reais! Tanto em Paradise Kiss quanto em Nana, eles tem defeitos demais e são muito bem construídos. Yukari é um bom exemplo, juro que preciso me esforçar pra pensar em algum adjetivo positivo pra ela. Até os mais caricatos, como Miwako e Isabella ganham sua dose de drama e humanidade.

miwako

Vou dizer algo que é um spoiler mas não faz tanta diferença: o final de Paradise Kiss é triste mas ao mesmo tempo é feliz. Acima de tudo, é um final extremamente real. Uma ilustração da vida, no sentido de que nem tudo é conto de fadas e que as coisas na maioria das vezes não acontecem como esperamos, mas que isso não é o fim do mundo. Afinal, a vida segue.

olhar do george...

Só sei que eu ri demais e chorei demais com os (infelizmente, poucos) 5 volumes de Paradise Kiss. No Brasil foi publicado pela Conrad (com umas capas laminadas lindas) e também foi adaptado para anime. NÃO VEJAM, é horrível (teria sido melhor se fosse feito pelo mesmo estúdio e diretor do anime de Nana, que ficou ótimo).

parakiss - yukari live e manga

ParaKiss também ganhou uma adaptação live-action, leia a resenha aqui) que é muito legal, mas o mangá continua sendo meu preferido.

7° –  Love Hina – Ken Akamatsu

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Fiquei em dúvida se poderia ou não colocar Love Hina no grupo dos shoujos, mas apesar de ter um grande público masculino, Love Hina é basicamente uma comédia romântica. Neste caso, mais comédia do que romance. Eu considero Love Hina um grande clássico. Dessa vez o personagem principal é o cara, não a garota como geralmente acontece. Keitaro é um típico loser que está tentando vestibular pela 3ª vez para o curso mais difícil na faculdade mais difícil: Direito na Todai. Toda essa determinação é devido a uma promessa que fez a uma garota quando era criança, de que eles entrariam juntos na Todai e seriam “felizes para sempre”. A fim de estudar, ele vai morar em uma pensão pertencente a sua avó, mas mal sabia ele que lá também moravam uma enchurrada de mulheres. Entre elas uma muito nerd estudante do mesmo cursinho pré-vestibular que ele, chamada Naru, que acaba ajudando a estudar para realizar o seu sonho.
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A partir daí você pode esperar milhares de reviravoltas e confusões à lá narrador da sessão da tarde. Love Hina consegue ser uma história tão engraçada quanto fofa, e com personagens muito cativantes. Ken Akamatsu brinca com você diversas vezes, e você lê até o final querendo saber: afinal quem é a garota da promessa? É a Naru? É a Mutsumi?

Mas deixando de lado a comédia e o romance (que nem tem muito na verdade, já que o autor se preocupa mais em criar situações do que evoluir o romance dos personagens [o que gera mais ansiedade]), você vê que o ponto principal da história é a persistência e a determinação. Se você tem um sonho, lute por ele. Não importa o quanto as pessoas desdenhem do seu sonho ou quantas vezes você já tenha falhado, não se deixe abater e continue tentando. É muito importante ter algo no qual acreditar.

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Junto com Kimi ni Todoke, está na lista das historinhas “relaxantes”, um ótimo passatempo que com certeza vai render boas risadas e um apego imenso aos personagens. É um dos mangás que me deram mais pena de terminar. Minha ligação emocional com ele me levou a colecionar no relançamento da JBC, que está muito mais bonito.

6° – X-1999 e Tokyo Babylon – Grupo CLAMP
tokyo babylon X-02

Sim, você não viu errado, tem dois títulos na 6° colocação. Mas é porque, na minha opinião, X e Tokyo Babylon são dois mangás que devem ser recomendados juntos, pois eles se completam. Criados pelo grupo CLAMP, responsável por inúmeros sucessos como Sakura Card Captor, Guerreiras Mágicas de Rayearth e Chobits, esses dois mangás não perdem em nada pros outros. Arrisco dizer que é um dos melhores entre os títulos da CLAMP (e tão cheirado quanto todos os outros), porém com um clima muito mais pesado do que a maioria de comédias românticas com heroínas fofinhas. Esses dois títulos vão muito, muito além disso.

O primeiro que eu li foi X, e a minha primeira impressão foi: “Que mangá BIZARRO!”. Li apenas a primeira edição e confesso que não me situei muito bem (foi um dos primeiros mangás que eu li, ainda não estava acostumada com narrativas e nem com nomes e sobrenomes japoneses). Mas basicamente a história se passa no ano de 1999, quando supostamente o mundo acabaria. Quatorze pessoas escolhidas por uma profecia vão encaminhar os acontecimentos finais que determinarão se o mundo continuará como está, ou se a humanidade deve ser destruída para começar tudo novamente.

Os sete selos (ou Dragões do Céu) são aqueles que querem salvar a Terra e os sete anjos (ou Dragões da Terra) são aqueles que querem destruir a humanidade. Ambos os lados são liderados por um “Kamui”, que significa “escolhido por Deus”. Até aí eu peguei mais ou menos quando li X, mas achei tudo meio confuso e não tive muita vontade de seguir com a história.

tokyo babylon X-01
tokyo babylon X-04 seichiro e subaru

Até que alguns meses depois me emprestaram Tokyo Babylon, e eu li sem ter ideia da ligação entre as histórias. Neste, vemos o protagonista Subaru, descendente de uma família de exorcistas, em vários de seus “trabalhos”, já que ele é o herdeiro do legado da família. Os seis volumes tem várias histórias isoladas onde também conhecemos mais dois personagens: Hokuto, irmã gêmea de Subaru e Seichiro, amigo dos dois. De início, Tokyo Babylon parece uma história aleatória, mas algumas coisas vão aos poucos te intrigando. Primeiro que eles continuamente brincam com o fato de que o sobrenome de Seichiro, “Sakurazuka” é muito parecido com o da lenda da família de assasinos Sakurazukamori. Segundo devido a um sonho frequente de Subaru, que mais parece uma memória de quando era criança, onde um homem diz que fará uma aposta com ele, mas o sonho nunca chega ao final.

Estou tentando ao máximo não dizer spoilers (que difícil!) mas no fim das contas Tokyo Babylon não tem um final. Eu terminei o mangá meio desolada, quando meu amigo me explicou que os personagens só reapareceriam em X (porém como coadjuvantes): Subaru como um dragão do Céu e Seichiro como um Dragão da Terra, e apenas em X nós vemos o desfecho da história dos dois. Até Hokuto tem uma participação especial, se envolvendo com outro dos Dragões da Terra.

tokyo babylon X-03

Confesso que nenhum dos dois mangás tem uma leitura muito “fácil”. Como explicar? Não é bem o tipo de história que vá agradar qualquer público. Tokyo Babylon é mais leve, mas X tem muitas cenas fortes, mortes fortes, o clima é pesadíssimo (em matéria de drama, melancolia e depressão) e praticamente todos os personagens tem fins trágicos. As autoras até mesmo tentaram amenizar colocando um casal de X (mais um com fim trágico) juntos em uma das dimensões de Tsubasa Reservoir Chronicals (mangá que faz paralelo com XXX Holic, de uma forma muito interessante).

tokyo babylon X-01 - sorata e docinho

Mas se você gosta desse tipo de história, vai em frente e tente não se apegar muito aos personagens pra não ficar muito triste depois (comigo foi assim, principalmente com o Sorata. Monges são sempre legais!). E, é claro, prepare-se para todo o tipo de bizarrices, desde pessoas sendo esquartejadas e mulheres parindo espadas. Sim, é tensinho. XD

Pra terminar quero ressaltar que o motivo-mor para eu ter corrido pra ler X-1999 depois de terminar Tokyo Babylon foi o Seichiro. Ele é um daqueles personagens tipo o George, de Paradise Kiss: inesquecível. Você pode se esquecer de detalhes de uma história, mas nunca se esquece de bons personagens (e olha que em X são MUITOS). E eu nunca esqueço de bons vilões (ops!). Talvez ele seja o meu preferido de todo o grupo CLAMP.

X-1999 possui uma adaptação em anime que nem é tão ruim, só não gosto do que eles fazem pra amenizar certas cenas (algumas mortes são diferentes e tal). Mas a música de abertura Ex-dream é um clássico!

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Nossa, me empolguei e escrevi pra caramba! o.o
Já foram cinco, em breve o post com os primeiros colocados.
Beijos e Queijos!
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2 comentários em “Top 10: Mangás Shoujo (Parte 1)

  1. mhh… I really have my doubts about X being a "shoujo" manga… (as many ppl I'm a deep CLAMP fan) I believe it's an action manga better, I think shounen fits better.I'm a very tough person to accept shoujos at all… for the cheesiness, the ribbons and stupid female characters who turn to be the saviors like Sailor Moon (IMO) not to mention the male chara's best attack is throwing roses to the enemies and run (mygod!), yet there are some really few shojo mangas which are memorable…I loved Paradise Kiss, it sure is one of the best mangas I'll read in my life, in my personal scale is in the top 5 for sure. Ai Yazawa is an incredibly talented mangaka, for the trace, the design, the narration, and the complexity of her characters and their lives. Her stories always take indecipherable paths.I don't like Love Hina xD to me it's one of those "harem" mangas I truly hate, and I think it's not shoujo at all, but fits well in romantic comedy for boys instead, actually there are tons of those for men public.

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