Top 10: Mangás Shoujo (Parte 2)

(Veja a Parte 1 aqui)

Fiquei feliz com algumas pessoas me dizendo que estavam esperando a segunda parte! Continuando, agora com os 5 primeiros colocados:

5° –  Karekano (Kareshi Kanojo) – Masami Tsuda

Yukino é a menina perfeita: bonita, inteligente, tem as melhores notas, é boa nos esportes, gentil, boa filha… que nada, é tudo fachada! Aliás, tudo fruto dos esforços sobre-humanos de Yukino de ser o centro das atenções. Até que entra no seu colégio Arima, um garoto tão perfeito quanto ela, senão mais. É claro que a maquiavélica Yukino não vai deixar as coisas assim. Ela só não contava de acabar se apaixonando por Arima, e é aí que começa Kareshi Kanojo, também traduzido como “As razões dele, os motivos dela”. A história começa com foco na construção do relacionamento de Yukino e Arima, mas se amplia aos amigos dos dois e seus respectivos dilemas de vida.

Muita gente crucifica essa série. Alguns por causa do anime (sem comentários, é péssimo. u.u), outros por achar sem graça, outros por causa da mudança MUITO brusca dos personagens. Eu gosto justamente por causa desse último motivo. Por mais que algumas coisas tenham ficado forçadas (O laaaadooo neeeegroo do Arima uuuuhhh *suspense*) eu gostei muito do modo como a autora conseguiu se aprofundar bem na evolução dos muitos personagens. Até hoje eu me lembro bem de cada um deles, e sinto saudade deles. Não sei vocês, mas isso acontece comigo com personagens que eu gosto muito, é como se você tivesse feito amizade com eles, e eu sinto falta sim (a propósito, quem eu sinto mais falta do mundo dos livros é o Derfel, por isso tô sempre pegando algum livro da série Crônicas de Arthur pra reler. DERFEL SEU LINDO! *aleatória*). Mas enfim, a história começa tão leve e inocente que você até se assusta quando a coisa vai ficando mais densa. Chega a um ponto em que vira um novelão, mas eu curti ler até o final e recomendo.

4° – Hanakimi – Nakajo Hisaya

Eu queria o traço da Hisaya-san pra mim. AMO as curvas delicadas, a narrativa limpa e expressiva, os belos personagens… Eles são bonitos mesmo! A Matsuri Hino pode ter seus detalhes belíssimos e extravagantes que eu adoro, mas Nakajo Hisaya consegue, na minha opinião, superar essa beleza com simplicidade. Mas vamos parar de falar do desenho e falar da história! Eu li Hanakimi por volta de 2005, e um tempo depois também assisti o mangá, que tem um elenco muito bom (me acostumei até mesmo com o feio do Oguri Shun interpretando o Sano). Tudo começa quando Mizuki, japonesa que mora na Califórnia, decide ir pro Japão atrás do seu ídolo Sano Izumi, atleta de salto em altura. Não seria tão estranho ela ter se matriculado na mesma escola que ele, não fosse o fato de que é uma escola só para garotos. Mizuki corta o cabelo e se veste como garoto para tentar fazer com que Sano volte a saltar, já que ele tinha parado após sofrer um acidente.

Essa seria só mais uma das muitas histórias clichês de “garota que se veste de garoto pra ficar perto de um cara”, onde tem todo aquele drama de ele (estranhamente) sentir uma “queda” por ela, mesmo sendo homem, logo após se sentindo traído quando descobre a verdade e todo aquele mimimi. A sacada de Hanakimi é que Sano descobre que Mizuki é mulher logo de cara, e tenta ajudá-la a esconder seu segredo sem que ela saiba que ele sabe. Aos poucos uma forte relação de amizade cresce entre eles e Sano se apaixona por Mizuki, enquanto ela vai aos poucos conhecendo a pessoa que há por trás do ídolo que ela sempre admirou.

Hanakimi é uma deliciosa comédia romântica, com vários personagens cativantes fora do núcleo principal (e que mantiveram essa característica mesmo no dorama [que tem um clima meio tropical e com uma trilha sonora ótima, encaixou muito bem]). Destaque para o personagem Nakatsu (no dorama interpretado pelo fofíssimo Ikuta Toma, que também faz Honey & Clover), um “caipira” muito engraçado e dramático que entra em crise sobre sua sexualidade ao se apaixonar por Mizuki (o que gera uma espécie de triângulo amoroso na história) e para o médico da escola que é gay, descobre logo de cara o segredo de Mizuki e também acaba virando seu “aliado”.

 

3° – Video Girl Ai – Masakazu Katsura

Deu uma certa polêmica na Parte 1 por eu ter colocado “Love Hina” junto com os shoujo’s. Video Girl é outro que gera controvérsias, mas novamente vou colocar aqui por ser um romance (por mais que o público alvo seja mais masculino do que feminino). Pra falar desse mangá eu dei uma procurada no google, porque faz muito tempo que li e não lembrava muito bem dos detalhes. Me deparei com uma resenha feita pelo site Nerdeando.com, que até me emocionou. Resumia perfeitamente tudo que é Video Girl em apenas três frases: “Video Girl Ai vai destruir seu coração. Vai destruir e picar e esmiaçar. E você vai adorar.” – é exatamente isso, nem preciso dizer mais nada. Video Girl é um drama dos bons, e apesar do clima meio “down” (que chega até a ser pessimista) você não consegue parar.

E olha que as muitas reviravoltas da história chegam a ser cansativas. Quando você finalmente pensa que as coisas vão dar certo, tudo dá errado de novo. Mas a história ensina muito sobre superação, sobre seguir em frente, não importa em quantos pedaços seu coração se partiu. Os personagens de Video Girl Ai DEFINITIVAMENTE não tem sorte no amor, mas o amadurecimento de todos eles é uma coisa bonita de se ver. Video Girl foi publicado no Brasil pela editora JBC, em 26 volumes. Também foram publicados 4 volumes de “Video Girl Len”, uma espécie de 2ª geração de Video Girls. É legal porque mostra os personagens da “Geração Ai” anos depois do final deste.

 

2° – Nana – Ai Yazawa
E eis que o nome da mestra Yazawa se repete no Top 10 de shoujos. Mas isso foi inevitável, afinal Nana é indispensável em qualquer ranking de mangás femininos que se preze. Na verdade “Nana” não faz parte da categoria “shoujo” e sim da “josei”, de mangás para mulheres adultas, e foi o primeiro do gênero a ser publicado no Brasil.
Para falar de Nana eu gostaria de começar falando que adoro histórias de amizades entre homens. Amizade mesmo! Não estou criticando homosexualismo nem nada, mas eu acho amizades masculinas muito sinceras e bonitas, principalmente as medievais (como a relação entre Derfel e Arthur no Rei do Inverno). Mas, pensem, que referência temos de história de amizade entre garotas, além das “Caçadoras de Aventuras” que nem passa mais na sessão da tarde? Essa referência pra mim é Nana. Porque apesar da temática ser o meio musical, apesar dos muitos conflitos amorosos e familiares e problemas de todo tipo que os (muitos e muito bem construídos) personagens principais enfrentam, pra mim o mote principal e o mais belo em Nana é a amizade entre Nana Oosaki e Nana Komatsu.
As duas se conhecem num trem, parado numa tempestade de neve. Depois de uma breve explicação sobre o passado de ambas (que mostra o quão diferentes foram as infâncias e adolescências delas e nos faz entender um pouco as personalidades completamente diferentes das duas) e do motivo pelo qual cada uma está indo para Tokyo, vemos o começo da amizade entre essas garotas que coincidentemente tem o mesmo nome e a mesma idade. A coincidência aumenta quando as duas se encontram novamente, ao tentar alugar um apartamento, e elas decidem morar juntas para dividir as despesas.
Como eu já citei, Nana é uma história que abrange o meio musical. Nana Oosaki é uma punk um tanto quanto introvertida, que quer remontar a banda que tinha em sua cidade natal; banda essa que seu antigo namorado largou para ir para Tokyo seguir uma careeira profissional. O mangá é muito bom (acho que já paguei pau da Yazawa o suficiente) mas o anime vale a pena só pela trilha sonora (destaque para a diva Anna Tsuchiya). A direção também é muito boa e conseguiu captar muito bem o drama e a melancolia de certas cenas inesquecíveis, assim como os momentos de comédia também. A pena é que o anime não tem um final, já que o mangá ainda não acabou no Japão. Apesar disso, no último episódio somos golpeados (sim, essa é a palavra) com uma cena de 4 anos no futuro, que nos adianta coisas não muito felizes da história… Nem preciso dizer que chorei horrores pois sou uma manteiga.

Assim como em Paradise Kiss, Nana é um mangá em que os defeitos dos personagens são muito reais e muito explícitos, mas você não consegue odiar nenhum deles. Você vai tão fundo neles que acaba entendendo cada um, torcendo para que eles amadureçam e não cometam os mesmos erros. Torcendo para que eles achem a felicidade que tanto buscam, um dia, de alguma forma.

 

Nana também foi adaptado para dois live-actions, onde as Nanas são interpretadas por Mika Nakashima (que também canta as músicas do filme, mas eu prefiro a Anna…) e Aoi Miyazaki. Eu achava a Aoi perfeita para o papel da Nana Komatsu, mas eles mudaram a atriz no segundo filme, assim como alguns outros personagens, o que não me agradou muito. De qualquer forma, Nana é um MUST, então corram e leiam! XD
1° – Fruits Basket – Natsumi Takaya
Enfim o primeiro lugar! No momento em que eu postei a primeira parte, do 10º ao 5º lugar, um amigo meu disse no twitter: “O primeiro lugar é Fruits Basket, não é?”. Poxa, Yuu, estragou a surpresa! XD
Fruits Basket tem um espaço muito especial no meu coração. Na época em que saíram os primeiros volumes eu comprava em Niterói, porque onde eu moro era difícil encontrar mangás nas bancas. Eu ia lendo no ônibus e às vezes terminava antes de chegar em casa. Todo mês esperava sair o próximo, até entrei em desespera quando a autora engravidou e demorou 6 meses para lançar o volume 12. Fruits Basket é um título importante na minha história com mangás, assim como um dos influenciadores na construção da minha auto-estima.
Alguém um dia me disse que Furuba (apelido carinhoso) é mangá de psicólogo. Se isso for verdade, então a personagem principal, Tohru Honda, é a própria psicóloga. A história começa nos mostrando como Tohru acabou indo morar na casa do garoto mais popular da escola (ok, soa ridículo falando assim, mas…). Acontece que, depois de perder a mãe em um acidente (o pai havia morrido quando era pequena) e de ser “jogada” pela família para a casa de seu avô, este pede que Tohru fique alguns meses com alguma amiga para que ele faça obras na casa. Com vergonha de incomodar as amigas, ela tem a brilhante ideia de comprar uma barraca e ir morar num bosque. Yuki Souma, chamado “príncipe” da escola, acha Tohru e sua barraca soterrada depois de um deslizamento e a leva para morar com ele e seu primo Shigure (<3). Tudo parece muito bem até que um garoto desce pelo teto (?), e depois de uma confusão Tohru tropeça e o abraça sem querer, transformando-o num gato.
Ok, até aqui é tudo meio louco até você entender que a família Souma é possuída por uma maldição, onde geração após geração 12 de seus membros se transformam nos animais dos 12 signos chineses – no caso, 13, já que também existe o gato, o mais amaldiçoado de todos. Estou percebendo que se for explicar tudo isso aqui vai ficar muito grande… Mas através de um conto infantil japonês, a autora explica porque o gato não faz parte dos 12 signos. No fim das contas, Kyo Souma, o gato, acaba indo morar com os três. No começo tudo são flores e o clima é bem alto-astral. Tohru é uma garota tão extremamente boazinha que chega a ser tapada (ela inclusive é zoada por muitos personagens), mas o inspirador é como ela consegue superar todas as fatalidades que acontecem em sua vida, sempre seguindo em frente e ajudando os outros a superarem suas próprias amarguras (que, Deus, são muitas… ô família complicada!). Aí você me diz: “Ok, Lizie, nada diferente dos outros milhões de mangás que existem no mundo”. Sim, mas, como explicar? Quem leu Fruits Basket SABE. É diferente. É muito mais profundo e bonito. É único.
Minha amiga Iris (visitem o blog dessa linda aqui) costuma falar de histórias meia-boca começando com a frase “Não mudou a minha vida, mas…” – pois bem, Furuba é a história que mudou, sim, a minha vida, e eu digo isso sem dúvida. Porque você parte da superficialidade de personagens que, à primeira vista, parecem clichês em uma comédia romântica clichê, até que a genialíssima Natsumi Takaya pega na sua mão e caminha lenta e gentilmente com você através do psicológico de cada um deles. Repito: cada um deles. E não são poucos.
Mas todos amadurecem muito, até mesmo o traço vai mudando sem que você perceba. Se você pegar o 1º e der uma olhada depois de terminar todos vai levar um susto! Minha reação foi “Nossa, como eles eram pirralhos!”. Nitidamente, até mesmo a Natsuki Takaya amadurece ao longo do mangá, tanto na arte quanto na narrativa (fora que ela conversa com você através de várias notas no começo dos capítulos, e no fim das contas você acaba se tornando amigo dela também).
Essa é outra daquelas histórias que te fazem sentir saudade dos personagens depois. Chega a um ponto que você acaba adotando-os como filhos, sente vontade de cuidar deles. Até o Momiji, que é um personagem completamente caricato e idiota no começo ganha uma profundidade inesperada (e no fim das contas ele me pareceu um dos mais tristes e ao mesmo tempo inspiradores, por sempre continuar sorrindo apesar de estar morrendo por dentro). É engraçado que justamente a personagem principal é a que nos parece mais superficial até um certo ponto, perfeita demais, boazinha demais… Ela ajuda demais os personagens em seus dilemas até chegar a um ponto que você entende de fato o que se passa pela cabeça dela, porque ela age como age, porque ela é quem é.
Tudo isso em meio a romances e a conflitos familiares complicadíssimos. A parte familiar aliás é o que gera boa parte das complicações amorosas. A tal maldição que parece engraçada no começo não é nada engraçada quando se conhece a família Souma a fundo. Usando as palavras do personagem Hatori no volume 2: “Tome cuidado, este é um clã bizarro e sombrio”. E apesar de tudo o que eu falei você não faz ideia do que te espera até o final, até a explicação de tudo. Afinal, qual é a origem da maldição? Os últimos volumes são muito emocionantes, de verdade.
Destaque para a personagem que na minha opinião é a mais importante de Fruits Basket: Kyoko, a mãe de Tohru (capa do último volume, inclusive), que já estava morta quando a história começou mas cujo passado e importância para a sequência dos fatos são mostrado ao longo do mangá.
Furuba é lindo e inesquecível, e eu tenho um carinho imenso pela história e por cada um dos personagens. Amei de paixão o final e volta e meia releio os volumes que eu tenho. Se prepare para dar boas risadas e soluçar de tanto chorar, às vezes até no mesmo capítulo.
Fruits Basket tem 23 volumes e foi publicado no Brasil pela JBC. Também foi adaptado para um anime MUITO RUIM, NÃO VEJAM! XD Mas recomendo fortemente que leiam, principalmente VOCÊ IRIS MARIA!

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E então, chegamos finalmente ao fim do ranking de shoujo’s. Em breve (prometo!) vem o ranking de mangás shounen, que eu estou particularmente ansiosa para escrever! ^^

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2 comentários em “Top 10: Mangás Shoujo (Parte 2)

  1. Nem vou dizer que Furuba foi o mangá shoujo mais vendido no US em 2006 chegando a mais de 2 milhoes de copias pelo o que me lembro. Sei disso porque citei furuba na minha monografia e olha issoPela primeira vez um mangá fica entre os 25 livros mais vendidos dos EUA na USA Today Booklist. Adorei a tua seleção

  2. I hated Nana Komatsu xD She was such a lame character… with no purpose in life… and not very smart… it seems that her only remark on the story is being half the narrator of it… because she suddenly merges and lives through others lives…I found interesting your remark on the friend relationship of the both Nanas. Because when it starts Nana O. is a very mature and independent young woman and suddenly the other NanaK (which is a needy) jumps in 'cause she can't be alone and merges in the other Nana's life…As the story develops, the break point where things switch is marvelous, at least it seemed to me, 'cause Nana breaks and Hachi fails on trusting her friend and matures suddennly in a very disgusting way (I still find that scene w/ Takumi very very sick (Hachi stupid)) So Hachi matures by force, she realizes she is useless and decides to go w/ Takumi instead of recurring to the 'friendship' of Nana. So Nana, that found a refugee in the warm soul of Hachi, now understands she's been aparted of Hachi's life ('cause Hachi now has to take care of other things to worry bout Nana) I find that interesting 'cause that's something I've feel myself w/ some close friends, like you are pulled out of a circle by nature. You no longer have a common talk, as priorities and life style has changed… anyway… that… and Ren… I find in Nana a very complex character…I also cried in lots of points of that manga, because of Nana, Ren, Shin, Reira, all is very shocking… I got very depressed for what goes on in this manga…From the songs my fav is Sleepwalking (from the Love for NANA album), a punkish song that resembles BLAST in a unique way…I also liked you researched and found out Nana is a josei, manga for young women, Paradise Kiss is too.And that's all my rant about Nana, a perturbing manga xD, I dunno if it's on my favs or no, because we still lack of the ending, but it sure shocked me so far!

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