Top 10: Mangás Shonen (Parte 1)

Enfim, um pouco de testosterona! Após o Top 10 de mangás Shoujo (Parte1Parte2), como prometido, agora vai o meu Top 10 de mangás Shonen (prometo tentar me empolgar menos e resumir mais, desta vez). Recapitulando: “Shonen” é uma categoria de mangás e animes direcionados ao público jovem masculino, apesar de interessarem a qualquer gênero ou faixa etária.
10° – Blade of the Immortal (Blade: A Lâmina do Imortal) – Hiroaki Samura
Dotado de um traço tão belo quanto dramático, Hiroaki Samura nos conta a história de Manji, samurai conhecido e temido por ter matado cem homens, inclusive o seu próprio senhor. Devido a um tipo de vermes que uma monja inseriu em seu corpo, ele passou a ser imortal e tenta se redimir pelo que fez no passado. A história se inicia quando Rin Asano, jovem garota que teve seus pais assassinados por samurais da Itto-ryu, contrata Manji como uma espécie de “guarda-costas”, e este acaba ajudando-a na sua vingança. Marcado por personagens profundos e vilões impiedosos em uma realidade um tanto quanto violenta do Japão Feudal, Blade é um mangá que vai te entrelaçando aos poucos na trama. Não é só sangue e violência gratuita, a trama é muito bem construída em torno de organizações secretas e conspirações. Destaque para o traço “sujo” e expressivo de Hiroaki Samura, que muitas vezes deixa cenas inteiras à lápis, ou mistura acabamentos à lápis e à nanquim numa mesma página. Lindíssimo!
Eu parei de ler há muito tempo porque meu amigo parou de comprar, mas tenho muita vontade de continuar um dia (eu teria que reler, senão ficaria boiando…). Mas acho melhor o autor resolver terminar a série lá no Japão primeiro, já que ele está publicando desde ’94! Quem se interessar pode ler online clicando aqui. O mangá também foi adaptado para um anime de 13 episódios em 2008. Eu só assisti ao primeiro episódio, mas gostei muito da direção e da trilha sonora.
9° – Battle Royale – Koushun Takami e Masayuki Taguchi
 
Adaptado do livro de Koushun Takami (1999), Battle Royale é um dos mangás mais fortes que eu já li. É uma espécie de distopia onde, usando a desculpa de  “conter a rebeldia dos jovens”, o governo aprovou uma lei chamada ATO BR: a cada ano uma turma é sorteada para participar de um jogo onde eles deverão se matar até que só sobre um. E qualquer semelhança com Jogos Vorazes é mera coincidência! “Battle Royale” é um título que tem sido mencionado nos blogs devido à semelhança (aparente) com o enredo do livro de Suzane Collins (que foi adaptado para o cinema e tem estréia prevista para esse ano).
 
Eu não li Jogos Vorazes ainda, mas já pude perceber que o foco dos dois é bem diferente apesar das semelhanças. Enquanto neste o mote principal é o governo repressivo e suas implicações na sociedade (e mais especificamente nos personagens principais), Battle Royale foca mais na reação psicológica de cada estudante perante aquela situação extrema onde eles são jogados. Porque em JV eles são treinados para participar do “Reallity Show”, em BR eles caem “de paraquedas” na ilha e são forçados a lidar com aquilo de uma hora pra outra. Todos da turma são sedados e já acordam com a coleira que impede que eles fujam.

Tem um amigo meu que diz que em Battle Royale as pessoas são feitas de pudim, e é quase verdade. As cenas das mortes e estupros (algumas vezes os dois juntos) são explícitas e grotescas, dando uma intensidade perturbadora ao mangá. No meio de todo o desespero está o personagem principal Shuya, que tenta juntar aqueles alunos dispostos a tentar burlar o “jogo” e fugir da ilha.

Battle Royale também possui uma adaptação com atores, meio trash devo dizer, mas não é de todo ruim. Em algumas cenas como a do farol (sem spoilers, prometo!) eu gostei mais da versão do filme do que a do mangá, por exemplo. Destaque para a personagem Shigusa, interpretada por Chiaki Kuriyama (a Go-Go de Kill Bill), o personagem Shuya interpretado por Tatsuya Fujiwara (Raito de Death Note) e o famoso comediante japonês Takeshi Kitano, interpretando o “vilão” da história. Mas ainda prefiro o mangá, já que o filme não se aprofunda tanto no passado dos personagens. Especificamente o da personagem que, na minha opinião, é uma das mais densas (e tensas) da série: Mitsuko Souma, uma dos que resolvem jogar o jogo pra ganhar. Por ter sido estuprada pelo padastro na infância, Mitsuko tem sérios distúrbios mentais e a forma como isso foi contado no mangá ficou muito boa. De qualquer forma, recomendo Battle Royale pra quem gosta de emoções fortes e tem estômago pra aguentar o tranco.

 
8° – Samurai X – Nobuhiro Watsuki
Rurouni Kenshin (título original do mangá) é um clássico. Eu tive o privilégio de ler todos os mangás em 2007, já que um amigo meu tem a coleção completa. Essa foi uma época em que eu estava em overdose de Japão antigo, já que nesse mesmo ano também li Musashi e Xógum. Samurai X se passa dois séculos após esses dois títulos, no início da era conhecida como Meiji, em meados do século XIX. O personagem principal Kenshin Himura, que tem uma cicatriz em forma de “X” na testa, é um espadachin que prometeu nunca mais matar e encontrou abrigo no dojo Kamiya, onde a bela Kaoru ensina kendô. Mas durante sua busca de rendição ele encontrará diversas sombras do seu passado de retalhador, que farão com que ele tenha que brandir sua espada muitas vezes mais.
Samurai X pode-se encaixar na categoria de ficção histórica, já que o autor usa de acontecimentos históricos significativos para inserir seus personagens e sua trama (como por exemplo oaparecimento de uma figura histórica famosa que ia ajudar Kenshin e marcou um encontro com ele no dia de seu assassinato [só não lembro o nome do cara]). A série também conta com vilões inesquecíveis como Shishio, e coadjuvantes que deixam saudades como Sanosuke e Yahiko. Samurai X é obrigatório pra quem curte história do japão e/ou boas lutas de espada. No Brasil foi publicado pela JBC em 56 volumes (algumas edições hoje em dia são raras e dificílimas de achar), e também há uma adaptação em anime que eu nunca vi. Parece que ela foi exibida pela Globo por um curto espaço de tempo, cheia de censura e cortes, e saiu do ar antes de terminar.
7° – Bleach – Tite Kubo
 
Pra não perder o costume de falar do traço, já começo dizendo que adoro as cenas de ação de Bleach. O mangá tem uma narrativa bem única e um estilo bem “rock’n’roll”. As capas com títulos ligados a personagens, as frases impactantes que abrem características de cada volume, tudo te joga de cara no clima “Bleach”. São detalhes pequenos mas que acrescentam à série um toque especial, que junto a personagens de temperamento forte, ação e comédia na medida certa fizeram de Bleach um grande sucesso mundial. Talvez na lista de muitas outras pessoas ele não estivesse tão abaixo no ranking, e talvez se eu tivesse escrito esse post há 5 anos ele estaria estre os primeiros… Mas uma coisa de cada vez.
Ichigo é um garoto que vê fantasmas e espíritos, e já convive com isso como se fosse uma coisa normal. Até que um dia ele vê uma garota de kimono preto perseguindo um monstro. Ele descobre que a garota na verdade é uma “Shinigami” (Deus da morte) e o monstro é um “hollow”, uma alma que foi corrompida. O trabalho dos Shinigamis é purificar os hollows e mandá-los para o outro mundo. Por ter uma força espiritual forte, Ichigo acaba atraindo esses monstros, que atacam sua família. Ao tentar ajudá-lo, a Shinigami (que se chama Rukia) acaba ferida e transfere seus poderes para que Ichigo termine o serviço. Depois da confusão Rukia não consegue pegar seus poderes de volta, então Ichigo começa a “trabalhar” no lugar dela. Essa primeira parte da história é mais pacata e serve para que você conheça alguns dos personagens principais (ao menos os humanos), mas a coisa começa a esquentar quando um capitão e um tenente Shinigami vem ao mundo humano buscar Rukia, já que o que ela fez passando seus poderes a um humano foi um crime muito grave e ela é condenada à morte. É claro que o explosivo e teimoso Ichigo não vai deixar que isso aconteça, e a partir daí você pode esperar muitas lutas, muito sangue, muitas conspirações e podres por trás da Sociedade Shinigami.
 
Na época que eu li Bleach eu cheguei a dizer que era mil vezes melhor que Naruto. Hoje em dia já não acho isso, por muitos motivos. Um deles é que, “de longe”, você consegue analisar as histórias melhor, mas acho que o meu maior erro foi ter abandonado o mangá de Bleach para acompanhar pelo anime (cujos temidos “fillers” são inclivelmente mais chatos que os de Naruto). Por isso recomendo fortemente que leia, não assista. Ou se quiser assistir as primeiras temporadas vá em frente, pois animação, ao menos, é bem melhor que a de Naruto, a dublagem e a trilha sonora são ótimas, mas sempre chega a um ponto em que é preciso paciência para continuar no anime. O mangá é mais rápido e mais sucinto, ainda mais pra quem não tem muito tempo de sentar a bunda em frente ao PC pra ver anime (como eu).
Outra coisa que me cansou um pouco em Bleach foram alguns personagens que me irritaram ao ponto de eu não aguentar mais olhar pra cara eles (como a peituda maluca Inoue). Isso além de personagens que eu até gostava mas que vão ficando chatos depois. Na minha opinião Bleach peca na evolução inexistente fraca dos personagens, como o próprio protagonista Ichigo, que após centenas de capítulos continua o mesmo chato de galocha temperamental, impulsivo e cabeça-dura, o que faz com que mesmo quem curtia o jeito dele no começo comece a achar um saco. Isso tudo me fez enjoar de Bleach, mas confesso que às vezes tenho vontade de retomar ou até de reler (o que mata é a preguiça). Mas mesmo falando tão mal (XD) eu realmente curtia muito Bleach na época em que li, e apesar de tudo recomendo até hoje. Embora Bleach tenha uma enxurrada de personagens irritantes, eu me lembro com saudade de alguns personagens geniais como o Urahara, Zaraki Kempachi, o leão de pelúcia tarado Kon e, por que não, o clássico Don Kan’onji! BWAHAHAHA (você vai entender se ler!)
 
6° – Beck – Harold Sakuishi
 
Eu costumo dizer que Beck está para os shonens assim como Nana está para os shoujos. Ambos abordam o meio musical, porém de formas muito diferentes. Enquanto Nana aposta nos dramas e romances, Beck aposta na comédia e na empolgação. E digo “empolgação” depois de ter parado de digitar e pensar por alguns segundos em que tipo de sentimento Beck me passa, tanto a série em si quanto a banda “Beck”.
Então vamos à história: Koyuki é o típico garoto sem graça e fracassado, até que ele conhece Ryuu, ao salvar seu estranho cachorro Beck. Por influência de Ryuu, Koyuki começa a aprender a tocar guitarra. Enquanto isso, Ryuu tenta reunir integrantes para começar uma nova banda, já que a última acabou devido à rivalidade e disputa de egos com o outro guitarrista. Ryuu jura que vai fazer a melhor banda do mundo e começa a reunir integrantes, entre eles o rapper Shiba, um dos personagens mais impagáveis e engraçados da série. No fim das contas, você acaba virando fã dele e de toda a banda, até dá uma tristeza por ela não existir de verdade…

Meu primeiro contato com Beck foi através do mangá, e logo depois eu comecei a assistir o anime. Aqui a banda é mais importante para a história do que em Nana (onde os acontecimentos não giram necessariamente em torno da banda). Eu não li o mangá todo, mas assisti o anime (que termina bem antes do fim do mangá), mas acho interessante como eles conseguiram compor músicas bem próximas do estilo que imaginamos com as descrições do autor no mangá (aproveito pra ressaltar que acho lindo como ele desenha os instrumentos e os personagens tocando-os). Recomendo tanto o mangá quanto o anime, mas pra quem não tem paciência de ler a versão animada não deixa nada a desejar.

Em 2011 foi lançado um filme live-action cuja seleção de atores me agradou muitíssimo, apesar de MUITOS pesares… Mas se eu for explicar vou acabar dando muitos spoilers, então vamos deixar assim.

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Em breve, a Parte 2 com ainda mais sangue e carnificina! XD
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