Resenha: Thirteen Reasons Why (Os 13 Porquês) – Jay Asher

“Everything affects everything.”
Você acorda de manhã e passa por milhares de pessoas durante o dia. Olha para algumas, ignora outras. Cumprimenta algumas, mas outras passam despercebidas. Você pode fazer coisas das quais não vai lembrar, falar coisas sem pensar. Vai agir conforme seu humor, conforme sua vontade, conforme o que acredita. Vai ser amigo de alguns, inimigo de outros, vai gostar, desgostar, amar, odiar. Mas a grande maioria vai simplesmente passar despercebida. E sem que você saiba ou tenha controle sobre isso, você será percebido. Muitas vezes, por aqueles que não notou ou não deu importância. E você poderá afetar a vida dessas pessoas de muitas formas. De formas que talvez nem elas mesmas percebam. Talvez isso já tenha acontecido. Talvez já tenha acontecido diversas vezes. Certamente alguma vez.
Hannah Baker queria se certificar de que certas pessoas soubessem o que lhe causaram, ou em que lhe afetaram. E é por isso que a protagonista de Thirteen Reasons Why (“Os 13 Porquês” na edição brasileira, pela Editora Ática), antes de cometer suicídio, resolve gravar fitas cassetes explicando sua história e as treze razões que levaram-na a tirar a própria vida. Ouvimos (ou melhor, lemos) o relato de Hannah pelo ponto de vista de Clay, garoto que não faz ideia do porquê seu nome constar na lista de envolvidos. E nós vamos junto com ele, ansiosos pra saber também como todas as histórias se interligam, como atitudes bobas de adolescentes, aparentemente inofensivas, podem desencadear tragédias na vida dos mesmos.
Eu confesso que algumas coisas me decepcionaram um pouco. Desde o começo eu pensei: “Vamos lá, Hannah, diga suas razões e tente me convencer”. Eu duvidava de que as razões dela fossem de longe suficientes para justificar um ato tão extremo como o suicídio, por isso esperava as situações mais tensas e cabeludas possíveis – o que não aconteceu. Mas veja bem, este é o livro sobre uma adolescente vivendo dramas de adolescentes, o que não os desmerece nem os faz serem menos importantes – principalmente pra eles. Ao terminar o livro a minha primeira reação foi “É Hannah, sua covarde, você não precisava ter feito isso só por essas razões”. E é isso que todos vão pensar, na maioria das vezes, na “vida real”. Por isso, de repente, eu percebi que é justamente atitudes de descaso como a minha que tem levado cada vez mais adolescentes a escolherem esse caminho, acreditando que não há nenhum outro. É justamente por não levá-los a sério que práticas como o bullying continuam acontecendo sob vista grossa. “É só coisa de adolescente”. Não é?
Muito dessa reflexão me fez lembrar da minha própria adolescência. Você se lembra da sua? Você ainda é? Bem, eu só fui ter ideia de como eu era extremamente chata e dramática muito depois (lembrando de mim mesma e observando a minha irmã). Claro que ainda tenho meus momentos “drama queen” (ainda mais na TPM), mas os hormônios da depressão adolescente levam isso a níveis absurdos. Tempestade em copo d’água é pouco: são verdadeiras tsunamis em conta-gotas. Eu olho para a minha irmã de 13 anos e penso (às vezes até digo a ela): “Isso vai passar”. Um dia ela vai olhar para trás e ver como está se preocupando por besteiras. Muitas vezes sofrendo por besteiras. Mas para eles é muito real e muito doloroso o medo de que aquilo nunca vá passar. Parece que não, mas passa. Pra mim passou. E quando novas coisas ruins vieram, eu sabia que iam passar. E assim a adolescência fica pra trás.

Infelizmente, não passou para Hannah Baker. E se você quiser saber quais foram as 13 razões, se quiser saber junto com Clay qual foi a participação dele nessa história, se quiser relembrar da sua adolescência, ou se você está passando por ela, recomendo que leia “Thirteen Reasons Why” (continuo repetindo o título em inglês pois foi a versão que li).

Destaque para a narrativa criativa de Jay Asher, onde vemos a narração das fitas de Hannah em itálico interligadas pelos pensamentos de Clay, que adicionam informações e dúvidas aos relatos, criando conexões, identificando pontas soltas e nos deixando mais curiosos para chegar ao desfecho. Por que Hannah Baker cometeu suicídio? Você vai ter que ir até o fim pra descobrir.
“And be careful,” – ela diz, “you’re being watched”.
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