Resenha – Filme: Gravidade

“O espaço, a fronteira final…” – assim começa a tão famosa frase, repetida em cada episódio da série Star Trek.

gravity 2013

Eu sempre me empolguei ao extremo com histórias espaciais (ou alienígenas). desde o meu favorito Star Wars, passando por animes como Cowboy Bebop e Evangelion até a série clássica científico-filosófica Star Trek. Isso sem contar inúmeros filmes/jogos/séries que eu não conheço ainda, e que muitos mais nerds do que eu poderão citar aqui. Todo esse hype espacial se ocupa das naves super cool e lasers e aliens e batalhas intergalácticas, criando obras incríveis de se assistir, mas acabam deixando de lado questões mais profundas, e até mesmo mais simples. Vamos nos livrar um pouco do romantismo espacial e ser um pouco realistas: o que nos aguarda lá em cima?

Em vez da tradicional frase super otimista de Star Trek, talvez eu devesse pegar emprestada a fala de um personagem desta mesma série, o Dr. McCoy – vulgo Bones: “O espaço é doença e perigo, envolto em escuridão e silêncio”.

Com certeza essa frase descreveria bem melhor o espaço experimentado por Ryan (interpretação incrível de Sandra Bullock) e Matt (George Clooney) nesta nova obra-prima da ficção científica: Gravidade.

gravidade - ryan e matt

Ok, eu confesso não ter assistido “2001: Uma Odisseia no Espaço” inteiro. Foram algumas tentativas frustradas; costumo dizer que “o Universo não quis”, mas o fato é que por um motivo ou outro eu nunca consigo ver tudo. Mas isso não me impede de estar ciente do que o filme representa para a história do cinema e de ter ouvido muitas discussões sobre ele por aí. Acontece que o barulho que Gravidade fez (e ainda está fazendo, pois os críticos não param de elogiar) acabou inevitavelmente evocando 2001 como comparativo. O que a galera tem dito por aí é que Gravidade é, filosoficamente, o sucessor de 2001 – ou sua versão atualizada para nossa realidade do século XXI.

clooney gravity

Filosoficamente eu não sei. Mas esteticamente, sem dúvida! Aliás, mais que estético, o filme é extremamente sensorial. É o tipo de filme que PRECISA ser assistido no cinema. Com a direção excepcional de Alfonso Cuarón (também roteirista), você não precisa se esforçar para flutuar, se desesperar e se maravilhar com a vista privilegiada da Terra junto à personagem principal Ryan, em enormes planos sequência com nauseantes movimentos de câmera e cenas em primeira pessoa que vão te fazer se sentir dentro de um simulador. Tudo isso junto a uma ótima trilha sonora me levam a acreditar que a palavra “sensorial” é muito mais indicada para descrever Gravidade do que “filosófico”.

gravidade-cenas incriveis

[a partir daqui podem haver alguns spoilers]

Não que não dê para filosofar com o filme. Mas convenhamos, querendo, dá pra filosofar até com uma pedra. Não que isso seja ruim! Eu só não acho que esse precisa ser necessariamente o foco da obra. Para não dizer que não reclamei um pouquinho, achei que aqui e ali houve um excesso de sentimentalismo que eu dispensaria (como a história da filha de Ryan). Mas isso por que desde o início do filme, a vibe que me agradou mesmo foi a “desesperança”.

gravity - ryan

Ok, explico. Logo de cara o filme te diz (talvez com aquela voz sarcástica e ácida do Dr. McCoy): “Sabe todo aquele rock’n’roll de Guerra nas Estrelas, amigo? Esqueça. Se você acha que o espaço é brincadeira, pense duas vezes.” E por mais escroto que isso soe, a verdade é que me agradou muito a experiência de virar completamente do avesso a tietagem cega que as pessoas com espírito nerd – como eu – tinham com histórias espaciais. Ou, levando para um outro lado, seria uma quebra da arrogância do homem de se achar o senhor de tudo. O explorador-mor que dominará o espaço – quem nunca parou para pensar nisso como um futuro inevitável? O homem dominar o universo? Eu acho que Gravidade é um tapa na cara desse pensamento. É o espaço, o imensidão vazio nos esmagando e nos lembrando o quão pequenos, o quão frágeis, o quão poeira cósmica nós somos diante dele.

espaço vazio - gravidade

Eu amei o filme. Fiquei apaixonada mesmo, é uma obra de arte com certeza. Mas por todos esses motivos, eu acho que eu escolheria outro final para ele. Toda a proposta tinha tudo para se encaminhar para um final onde essa imensidão do universo prevalecesse e de fato “vencesse” o homem no final. Pois é, eu queria um final triste! Acho que traria ao espectador um “vazio” artisticamente estratégico ao sair do cinema, que intensificaria toda essa ideia de insignificância do ser humano.

sandra bullock

De qualquer forma, nem de longe o filme chegou a ser uma decepção. Sem dúvida, foi um dos melhores que assisti nos últimos tempos. Não perca de jeito nenhum a oportunidade de ver em 3D! O que está esperando para conferir o trailer aí embaixo e correr para o cinema?

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