Resenha – Filme: “Ninfomaníaca” (Parte I)

Eu poderia facilmente usar a palavra “orgástico” àquele sentimento único de sair do cinema depois de ver um ótimo filme. Com Ninfomaníaca o termo se torna, ironicamente, mais que apropriado.

Este foi o meu primeiro contato com o dinamarquês Lars von Trier, diretor e roteirista do filme que já estava causando polêmica antes mesmo do seu lançamento. Eu não sei o porque mas, seja por publicidade, por comentários de amigos ou críticas após o lançamento do filme, todo o meu contato prévio com ele foi muito negativo. Eu confesso estar esperando um filme frio, vulgar, superficial, banalizando o sexo com cenas explícitas só pela polêmica.

É claro que eu estava completamente errada. O filme foi muito mais profundo (tudumpa) do que eu poderia esperar.

Uma das críticas que eu li dizia que “O objetivo de Lars von Trier não era excitar, e sim entediar, através da completa banalização do ato sexual”, mas eu já acho que nenhuma das duas coisas procede muito. Primeiro porque a fotografia e o desempenho dos atores é sensacional em todas as cenas de sexo, impossível não se excitar.

E segundo porque, por mais que as cenas de sexo apareçam explicitamente como se fosse a coisa mais banal do mundo, o intuito geral do roteiro está muito longe da banalidade.

Ninfomaníaca se despe de todo e qualquer tabu, usando a história do vício de Joe (Charlotte Gainsbourg e Stacy Martin [Joe jovem]), para conversar com o expectador sobre tudo relacionado à sexo que a maioria das pessoas raramente põe em palavras – ou em imagens. Sexo não deveria, afinal, ser uma das coisas mais naturais do mundo? Eu acho que nunca havia visto um drama tão focado em questões sexuais, aqui levadas a um extremo deliciosamente catártico.

As metáforas visuais não são nem um pouco sutis, elas vem agressivamente dando um peso emocional e filosófico que faz de Ninfomaníaca uma obra de arte que dá prazer – muito prazer – de ser apreciada. Desde as imagens que se intercalam às cenas quando os personagens fazem comparações até os diálogos que associam e definem o ato sexual de forma magistral, como Bach e seu uso da Polifonia para descrever  três tipos de amantes.

E esta é só a primeira parte! Aproveito para comentar que achei a escolha de corte sensacional, fechando um ciclo e dando aquele gostinho de quero-mais. A versão que veio para o Brasil está com cortes, cada filme tendo 2 horas de duração (o segundo está previsto para lançamento em março por aqui). A versão completa possui pouco mais de 5 horas e será exibida somente em festivais.

Para quem não viu ainda, confira o trailer abaixo:

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