Imperfeições

“Tonio nasceu no norte da Alemanha, numa cidade em que todos tem os olhos azuis, são loiros, saudáveis e fortes e estão de bem com o mundo. A mãe de Tonio era italiana, […] o próprio nome já indica a mistura que ele tem. Seus olhos e cabelos são escuros e ele herdou uma sensibilidade inquieta que lhe dá o potencial de artista e escritor.

Embora seja devotado àquela gente loira, ele não pode interagir; está sempre na posição do observador. No entanto, Tonio reconhece que essas pessoas são fascinantes. Quando vai a bailes, é uma maravilha observá-las. As meninas dançam muito bem; os meninos dançam muito bem. E quando ele, Tonio, dança, ele pensa: “Eu só quero sonhar e ela só quer dançar”. […] Assim, ele se sente excluído. Continuar lendo

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Resenha – Filme: “Ninfomaníaca” (Parte I)

Eu poderia facilmente usar a palavra “orgástico” àquele sentimento único de sair do cinema depois de ver um ótimo filme. Com Ninfomaníaca o termo se torna, ironicamente, mais que apropriado.

Este foi o meu primeiro contato com o dinamarquês Lars von Trier, diretor e roteirista do filme que já estava causando polêmica antes mesmo do seu lançamento. Eu não sei o porque mas, seja por publicidade, por comentários de amigos ou críticas após o lançamento do filme, todo o meu contato prévio com ele foi muito negativo. Eu confesso estar esperando um filme frio, vulgar, superficial, banalizando o sexo com cenas explícitas só pela polêmica.

É claro que eu estava completamente errada. O filme foi muito mais profundo (tudumpa) do que eu poderia esperar.

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Vídeo

Trailer do dia: How I Live Now

Mais um da série: “quero ver esse filme porque tem esse(a) atriz/ator”! Mas de qualquer forma eu gosto de filmes ambientados em guerra… não pelo conflito em si, mas principalmente pelo efeito da guerra na vida das pessoas, e suas reações frente a situações extremas. Quem estrela How I Live Now é a Saoirse Ronan, de quem eu sou fã desde Atonement. Confiram o trailer!

 

Eternos Clássicos #4: A noviça Rebelde (The Sound of Music)

Claro que eu já tinha ouvido falar de “A noviça rebelde” antes. Mas confesso que ouvi os versos “The hills are alive with the sound of music” em Moulin Rouge antes de saber que vinham desde musical, ou mesmo que o título original era “The Sound of Music”. O filme, de 1965, já estava na fila de espera há um tempo, e eu resolvi assistir semana passada.

_Maria e as crianças na montanha

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Cinefilô e a Vontade Infinita

“Pensar exige ter fé, no sentido de que o pensamento não é uma atividade mecânica que se operaria por si só em nós […]. Pensar exige coragem e vontade. Pensar é dizer não aos nossos primeiros pensamentos, que seriam mais bem denominados humores […]. Pensar é pensar contra. Eterna luta da vontade contra a força de inércia do corpo. O corpo sempre ganha antecipadamente quando a vontade não acredita em suas possibilidades. Se não quisermos, não pensamos nunca.” (Ollivier Pourriol)

Não sei quem ainda lê este blog. Coitado, foi abandonado por mim sem um pingo de dó nos últimos meses… Mas meu carinho por ele não mudou. E depois dessa curta DR (?), pretendo dar mais atenção a ele a partir de agora. Claro que, como em toda DR, eu já prometi isso muitas vezes antes… mas isso não significa que eu realmente não estava falando sério em cada delas.

ImagemEnfim. Indo ao que interessa. Estou lendo este livro, “Cinefilô”, do francês Ollivier Pourriol. Peguei na biblioteca do Sesc onde trabalho, junto com um sobre a II Guerra Mundial que nem sei se vou ler, já que comprei mais dois livros sobre cinema pra se juntarem a dois que eu comprei há alguns meses (e cuja leitura está pela metade). Que atire a primeira pedra quem tem menos de cinco livros por ler na estante!

tudo_o_que_voce_pensa_pense_ao_contrario-paul_ardenAinda nem cheguei na metade, confesso. Mas gosto dessa sensação de querer reler (ou rever, no caso de bons filmes) antes mesmo de ter terminado. Primeiro pela minha relativamente recente interesse por filosofia, coisa de pouco mais de um ano pra cá. E segundo por causa das minhas muitas reflexões pessoais, tomadas de decisão. Existem certos livros que chegaram na minha vida em momentos chave, como o Tudo que você pensa, pense ao contrário, e que me ajudaram a tomar rumos decisivos. Sinto que o Cinefilô é um desses livros, mais pelo lado filosófico do que pelo cinematográfico.

Mas estes dois lados são distintos, no fim das contas? Essa é apenas umas das questões abordadas pelo livro, que usa diversos filmes como exemplo para explicar as ideias de grandes filósofos como Descartes e Nietzsche. Hora de olhar para Clube da Luta, Matrix, Forrest Gump, Coração Valente e diversos outros clássicos (ou não) com outros olhos e treinar estes mesmos olhos para captar as sutis menções à filosofia, e consequentemente, à nossas próprias vidas. E aí você percebe que você está lá, em cada filme, como protagonista ou vilão. Ou os dois.

Resenha: Gantz – Perfect Answer

“A vida de vocês já era. O que fazer com elas a partir de agora é problema meu.”

Eu já tinha escrito antes sobre o mangá de Gantz neste post. Na época, eu já tinha assistido o primeiro filme e gostado, mas essa semana baixei o 2º live-action da série, o Gantz: Perfect Answer, o que me fez voltar completamente ao meu sentimento original de quando lia o mangá.

Gantz movie 2 Continuar lendo