Review: MUSASHI – Eiji Yoshikawa

Ultimamente tenho estado com esse livro na cabeça, relacionando-o a várias coisas da minha vida. E cheguei à conclusão de que o Musashi é uma das minhas maiores inspirações.

Pra quem nunca ouviu falar, Miyamoto Musashi é um dos samurais mais conhecidos da história do Japão, considerado um herói nacional. Foi o criador do estilo de luta com duas espadas chamado Niten Ichi Ryu, além de escritor, escultor e pintor.

A vida desse samurai é contada por Eiji Yoshikawa através de um belíssimo romance biográfico, dividido em 7 livros (no Brasil acabou sendo publicado em duas edições enormes):  A Terra, A Água, O Fogo, O Vento, O Céu, As Duas Forças e A Harmonia Final, onde cada um simboliza uma etapa do aprimoramento de Musashi, tanto em suas técnicas como em seu espírito.

Tem muito tempo que eu li, mas vou tentar fazer um apanhado geral.
A história começa com Musashi, então chamado Takezo e seu amigo Matahachi em meio aos cadáveres da Batalha de Sekigahara (Batalha que deu início ao Shogunato). No início da história, Takezo é um garoto violento e descontrolado, até mesmo chamado de “demônio” pelos conterrâneos de sua cidade natal. Somente após conhecer o Monge Takuan e ficar 3 anos trancafiado em uma torre, lendo livros filosóficos e sobre guerras, que Takezo passa a se chamar Musashi e parte em sua jornada em busca do crescimento pessoal, físico e espiritual.

Agora, o aspecto que causa em mim a maior identificação é o que relaciona Musashi e Otsu. Ela era a noiva de seu amigo Matahachi, abandonada por ele após a Batalha de Sekigahara, e acaba se apaixonando por Musashi. Otsu chega a pedi-lo para levá-la com ele mas, mesmo dizendo que a levaria, ele sempre acaba fugindo dela. O aprimoramento pessoal é para Musashi o seu maior objetivo e Otsu é a sua fraqueza, talvez seu único medo. Então, por mais que ele a ame, ele tem que fazer essa escolha: seus sonhos ou seus desejos?

Eu acredito que toda escolha tem suas perdas e riscos. E o amor é uma escolha complicada, que envolve abrir mão de muitas coisas. Miyamoto Musashi se tornou um sábio samurai pois ele teve foco e soube abrir mão daquilo que o iria atrapalhar. É a máxima do “não se pode ter tudo”. Mas você pode ter o máximo de certas coisas se souber escolher que caminhos seguir e que caminhos não são pra você. Muitas pessoas não entendem. Não entendem que nem todos são iguais, que nem pra todo mundo a vida perfeita é com família e filhos. Não existe um modelo de felicidade. Nem todos precisam das mesmas coisas.

Pra quem gosta do Japão o livro todo te situa muito bem, tanto historicamente quanto geograficamente. Ficção e realidade estão entrelaçadas de uma forma primorosa nessa obra, que se tornou um dos livros mais vendidos de todos os tempos no Japão. É uma mistura de ação, aventura, romance e até mesmo comédia, tudo estruturado dentro da filosofia oriental e zen-budista.

Eu admiro muito o Musashi por tudo o que ele conseguiu deixar de lado, por tudo o que aprendeu e melhorou. O livro todo é lindo, e vale a pena ser lido (apesar de grande). O Musashi que vemos no final do segundo livro é outro homem, completamente diferente do que vemos no começo do primeiro. Então eu paro e penso: daqui a 40 ou 50 anos, será que terei alcançado tudo o que eu espero? Será que serei “sábia”, bem sucedida…? A quantos anos-luz vou estar da pessoa que sou hoje?
Sei que tudo isso depende dos caminhos que vou escolher. E dos que não vou.

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