Top 10 Mangás Shonen (Parte 2)

(Veja a Parte 1 aqui)

Antes que reclamem, já começo avisando que Dragon Ball não está na lista, pois considero como “hors concours”. Aí vai o Top 5:

5º Monster – Naoki Urasawa

Monster

Até hoje não consegui terminar de ler “Monster”. Consegui o anime mas não gostei dos episódios arrastados, as coisas demoram demais a acontecer. Já o mangá, apesar do traço mediano e não tão expressivo, possui uma carga de suspense que te prende mais e mais a cada volume. Abordando assuntos como Nazismo, Guerra Fria e Psicologia Criminal, Monster tem um dos vilões mais inesquecíveis, ao menos pra mim.
Dr. Tenma é um médico neurocirurgião japonês que tenta fazer carreira na Alemanha, mas que se sente insatisfeito com a forma com que os administradores do hospital onde trabalha tratam os pacientes, dando prioridade a atender figuras públicas e prejudicando outros que poderiam ser tratados de forma melhor. Até que um garoto baleado na cabeça chega no hospital ao mesmo tempo que o prefeito da cidade. Os pais do garoto Johan haviam sido assassinados e sua irmã estava em estado choque e não conseguia falar. Sabendo o estado grave do menino e que só ele poderia salvá-lo, Tenma desobedece as ordens de operar o prefeito primeiro. A decisão transforma a vida do jovem médico num inferno em seu ambiente de trabalho, até que os diretores do hospital são todos assassinados e Johan e sua irmã somem misteriosamente.
Monster - mangá
Tenma se torna o diretor e cirurgião chefe do hospital, e apesar de estar sob suspeita dos assassinatos (por ter sido o mais beneficiado com as mortes), nove anos se passam com o caso arquivado até que vários assassinatos a casais de meia idade, semelhantes aos pais de Johan, começam a ocupar o trabalho da polícia alemã. Uma série de acontecimentos levam Tenma a reencontrar Johan, o garoto que salvou há 9 anos e que está sinistramente conectado a todos esses assassinatos.
Monster é um suspense policial dos melhores, onde o psicológico dos personagens são explorados pelos próprios personagens. Sua ansiedade só vai crescer, enquanto você passa pela mente de assassinos, militares, nazistas, mulheres amarguradas e da traumatizada irmã de Johan até conseguir entender a cabeça e os motivos do próprio Johan – um dos vilões mais geniais do mundo dos mangás (costumo compará-lo ao próprio Joker, sem exageros).
Monster era publicado pela Conrad e parou na metade, mas seus direitos foram (Graças a Deus!) adiquiridos pela Panini, que lançará a partir do 1º volume em março deste ano.

 

4º Gantz – Hiroya Oku

Gantz

Eu não sei o que me fez continuar lendo Gantz quando comecei. Talvez tenha sido a influência de muitos amigos que eram fãs, talvez tenha sido a pura curiosidade ou simplesmente o fato de que era fácil pegar mangás emprestados na época. Acontece que, de início, eu não via nada de mais em Gantz. Pra mim era só mais um mangá com uma desculpa esfarrapada para unir carnificina e pornografia, mas logo eu veria que Gantz era muito, muito mais do que isso. Mas afinal, o que é o “Gantz”? Ahá, talvez tenha sido justamente essa pergunta que me levou a continuar lendo.
Gantz - mangá
No começo é tudo muito confuso. Num momento vemos o protagonista mais escroto do mundo, Kei, se envolvendo num acidente com seu amigo de infância Katou, que encontra por acaso em uma estação de metrô. Logo após a bela visão da cabeça dos dois sendo arrancada pelo trem, os dois aparecem em uma sala misteriosa, com pessoas que parecem entender tanto quanto eles (e nós) o que está acontecendo. Cada um passou por uma experiência de morte e foram parar ali, nessa sala onde só tinha uma esfera negra no meio. Eis que a tal esfera começa a brilhar, ela se abre, aparecem roupas, armas e instruções sobre um “alienígena” que eles devem matar. Neste momento você já vai ter exclamado “WHAT THE FUCK” várias vezes e algo vai te levar a continuar lendo. Ou não. Mas se você escolher ler, não vai se arrepender.
Ao longo do mangá você vai aos poucos, junto com Kei, descobrindo o que é o Gantz, o que eles estão fazendo ali e mais que isso: a dimensão do que é o “Gantz” no mundo. E mais que isso ainda: o que eles próprios são. Contando com um grupo de personagens que vai se renovando continuamente (infelizmente, as mortes são muito frequentes, o que pode te deixar um pouco triste) e uma trama que não para de te surpreender a cada volume, definitivamente TUDO pode acontecer. O autor te entrelaça de tal forma que você fica preso ao Gantz tanto quanto Kei – que tem uma evolução incrível ao longo dos acontecimentos. E, junto a tudo isso, como eu já falei, tem a carnificina e a pornografia. E com essa mistureba toda, por algum motivo, Gantz se tornou um dos meus mangás preferidos.
Gantz - owned
Gantz é publicado pela Panini e foi adaptado para um anime cof péssimo cof de 13 episódios que não conta nem um décimo da história (Vale a pena ver só a música de abertura, que é ÓTIMA). Já dos live-actions eu gostei, a adaptação e o casting (que conta com Kenichi Matsuyama, ator famoso por fazer o L de Death Note) ficaram ótimos, só que eles tiraram boa parte da pornografia. Segue aí embaixo o trailer.

 

3º Death Note – Tsugumi Ohba e Takeshi Obata
Death note
Eu ainda me lembro da primeira vez que li a sinopse de Death Note. Eu não tinha ideia que um objeto tão simples poderia gerar uma história do patamar que esse mangá atinge. Tudo começa quando um garoto encontra um “Caderno da Morte” – a pessoa cujo nome for escrito nele morrerá. A genialidade da trama começa a partir do momento em que esse garoto, inteligentíssimo estudante japonês chamado Light Yagami, cheio de ideais de paz e justiça, decide usar esse caderno para limpar o mundo de todo o mal. É claro que, apesar das boas intenções iniciais de Light, o poder que o caderno lhe dá vai subindo à cabeça gradualmente ao longo da história, fazendo com que o protagonista se torne uma espécie de vilão. Na verdade o ponto principal é a questão: um ser humano tem o direito de decidir se outro ser humano deve viver ou morrer?
Death note pages
É claro que não passa despercebido para as pessoas a morte em massa de criminosos no mundo inteiro, todos por ataque cardíaco. Acontece que, caso não seja especificada a causa da morte no caderno, a pessoa morre de ataque cardíaco, e Light faz isso de propósito para que a humanidade perceba que “alguém” está fazendo justiça. Logo esse justiceiro sem rosto começa a circular na língua do povo como “Kira” (pronúncia japonesa para “killer”) e as forças policiais do mundo inteiro se reúnem para decidir o que fazer em relação a este assassino sobrenatural. É aí que entra em cena o famoso detetive particular “L”, cujo nome e rosto ninguém conhece, já que ele sempre trata com a polícia através de intermediários. A partir daí começa um embate intelectual dos melhores que eu já vi em qualquer filme ou livro de investigação, senão o melhor.
Contando a história assim parece impossível que L possa chegar até Light, mas o autor começa a te surpreender logo no primeiro capítulo. Não tem como não xingar de surpresa a cada movimento de Light e L nesse jogo de xadrez que é Death Note. No final, vencerá o bem ou o mal? O que é, afinal, o bem e o mal? Light está certo ou errado?
Outro ponto importante é o Shinigami Ryuuk, o dono do caderno. Este ser é um “deus da morte” e foi ele quem deixou seu caderno cair na Terra. “Uma vez que o caderno caiu na Terra, à Terra ele pertence” – são as palavras de Ryuuk, que passa a seguir Light. Isso abre mais possibilidades também, afinal, se há outros shinigamis, podem haver outros cadernos (e de fato há ao longo da história). Vale a pena ouvir os comentários e opiniões de Ryuuk sobre os seres humanos, e as suas piadas muito convenientes.
Death note2
O mangá de Death Note foi publicado no Brasil pela JBC, é composto por 12 capítulos e foi adaptado para um anime de 37 episódios. Para quem quiser ver o anime eu recomendo, pois é muito bem feito, mas quando chegar no último episódio NÃO ASSISTA! Apesar de ser bem feito eles cagaram o final, então prefira o final do mangá.
Death note movie
Também existem dois live actions que eu particularmente gosto, eles mudaram COMPLETAMENTE o final mas ficou bem interessante (apesar de eu ainda considerar o final do mangá como meu final definitivo). Como se não bastasse, existe ainda uma montagem de aproximadamente 3h resumindo o anime que tem um OUTRO final, e foi feita pelo diretor do anime.

2º Naruto Masashi Kishimoto

Naruto

Eu já fui bem mais fã de Naruto. Na época que eu tinha internet discada passava uma tarde inteira para conseguir baixar um capítulo, mas valia a pena. Depois de um tempo passei a assistir o anime, depois voltei pro mangá quando começou a saga “Shippuden” (com os personagens mais velhos) e depois de um tempo parei de ler. Apesar disso Naruto tem um espacinho especial no meu coração e eu gostaria de pedir encarecidamente aos meus amigos queridos que PAREM DE ME DAR SPOILERS porque eu vou voltar a ler, ok? XD

Acho que hoje em dia a maioria das pessoas que não conhecem banalizam este mangá, assim como banalizaram Pokémon (ok, comparação infeliz). Mas acho que o que fez Naruto estourar foi a sua originalidade, revolucionando completamente o conceito de “ninjas”. Toda uma mitologia, um universo, um sistema político e uma economia foram construídos para essa série, assim como seu visual maneiríssimo (adoro o traço dos personagens, das cenas de ação e o concept da vila da folha criado por Kishimoto, e pagaria pra ver isso no cinema). Mais tarde, no anime, apesar de suas primeiras sagas terem um gráfico horroroso (o sangue parece gelatina!!), isso se junta a uma trilha sonora que mistura instrumentos tradicionais japoneses (flautas e tambores) à rock’n’roll criando um clima único à série. Naruto te faz se apaixonar por todos esses elementos que deram super certo juntos, e não é a toa que se tornou uma febre.
Naruto time 7
A história começa bem simples, mostrando a vida de um órfão que é odiado pela vila ninja onde nasceu, sem entender o porque. Logo no primeiro episódio, com 12 anos, Naruto descobre que dentro dele foi aprisionado o espírito de um demônio raposa de nove caudas, quando ele era apenas um bebê. Devido ao ódio da vila ele acaba crescendo como um arruaceiro e delinquente, no fundo uma forma de chamar atenção. Seu sonho é atingir o mais alto posto na Vila Ninja da Folha, o posto de Hokage – líder da vila.
Naruto2É complicado explicar a história porque ela vai se construindo aos poucos, a partir do momento em que Naruto atinge sua primeira graduação ninja e ao longo das missões que são confiadas a sua equipe. Mas tudo se desenvolve de uma forma em que você quer sempre saber o que vai vir em seguida, sempre com novos desafios, novos personagens e sem que você perceba a história vai por um caminho que acaba conectando vários pontos que vão sendo jogados desde o começo. Outra coisa que eu gosto muito em Naruto (e que tinha me desapontado em Bleach) é a evolução constante dos personagens. O autor consegue, depois de um tempo, mostrar um Naruto mais adulto sem perder suas características principais, assim como vários outros personagens.
naruto shippuden
Naruto é publicado no Brasil pela Panini e ainda não acabou no Japão, mas segundo o autor a história já está se encaminhando para seus finalmentes. “Para noooooossa alegria!” (desculpem, não resisti.)

 

1º One Piece – Eichiro Oda (tio Oda, para os íntimos)

one piece title

E aí está, o incontestável primeiríssimo lugar! Costumo dizer que mangás vem e vão, mas One Piece permanece para sempre! Isso porque OP é meio infinito: está sendo publicado no Japão desde ’97 e só agora o autor disse ter chegado na metade da história. O que não é problema, já que chegou a um ponto em que eu os fãs não querem que acabe.

Mas por que One Piece é tão motehrfuckermentepicadasgalaxias bom? Eu poderia dizer milhares de números e dados estatísticos sobre a vendagem de OP no Japão e no mundo, que já ultrapassou a de Dragon Ball e sobre a bilheteria dos filmes. Eu poderia falar sobre a tal fórmula mágica da Shonen Jump, de “esforço, amizade e vitória” mas essa fórmula também é usada em Bleach, Naruto e diversos outros. Eu poderia dar milhares de motivos mas acho que, acima de qualquer um, o motivo principal é que One Piece NÃO CANSA.

One Piece

É um mangá extremamente gostoso de ler e que te faz se apaixonar cada vez mais por tudo, inclusive pelo tio Oda (essa interação com o autor já não existe pra quem assiste o anime). Eu acho que resenhas de OP são complicadas por não fazerem jus ao anime. É como em Gantz: tudo tão WTF que eu entendo que as pessoas torçam o nariz e duvidem que uma história de um navio pirata cujo capitão não sabe nadar e é um homem borracha, cuja tripulação é composta por um espadachin de cabelo verde que usa uma espada na boca, uma rena de nariz azul que fala, um ciborgue e um esqueleto que canta, entre outros, possa dar certo e fazer tanto sucesso. Acontece que a irreverência de Eichiro Oda é um dos temperos essenciais para que One Piece seja tão bom.

One piece 2

Mas vamos dar uma de Buggy e ir por partes (e a referência você só entenderá se ler). Tudo começa quando o pirata mundialmente famoso Gold Roger, prestes a ser executado em praça pública, usa suas últimas palavras para desafiar o mundo a encontrar seu tesouro escondido, o One Piece. Então começa o que é chamado “A Grande Era da Pirataria”. O personagem principal Monkey D. Luffy (sem piadinhas) é o típico protagonista impulsivo e otimista ao extremo, e parte da ilha onde mora a fim de procurar o One Piece e se tornar o Rei dos Piratas. E cada personagem pra quem ele diz isso faz exatamente a cara que você provavelmente fez agora. Ao longo da jornada de Luffy ele vai juntando sua tripulação e passando por muitas ilhas e situações das mais inusitadas a fim de alcançar seu objetivo.

E não tente encaixar essa história em qualquer cronologia do mundo que conhecemos; em OP temos um mundo completamente diferente, com estrutura geográfica própria e uma história obscura que vai sendo desvendada aos poucos. Isso é uma das coisas geniais de One Piece: você começa com uma visão muito superficial de como as coisas funcionam neste mundo, até que é levado a entender aos poucos os podres da Marinha, do Governo Mundial, das Sociedades de Piratas e, mais pra frente, das alianças rebeldes que são contra as forças políticas que regem o mundo. Mas por mais que tudo isso torne a história interessantíssima a longo prazo, não é isso que faz com que OP seja tão viciante.
one piece crew
Acho que no fim das contas são os personagens. E são MUITOS! Todos eles, até mesmo o Luffy, estão constantemente te surpreendendo. Por mais que tudo pareça comédia e meio escrachado no começo, aos poucos você vai notando a profundidade de cada um, e nutrindo uma certa admiração e respeito por eles – e pela forte relação de companheirismo entre eles. É muito difícil separar “bem” e “mal” em One Piece, primeiro porque de certa forma os protagonistas é que seriam os “criminosos”, por serem piratas. Entre os piratas há aqueles com quem simpatizamos e aqueles que discordamos totalmente, mas é uma questão de ética; cada um tem os seus motivos. A marinha seria o lado “bom”, mas você com certeza vai discordar de vários métodos deles. Por outro lado, haverão personagens da marinha que você vai amar pra sempre, assim como piratas que vai odiar pra sempre… OU NÃO! Afinal, vários deles (muitos vilões dos mais tensos) acabam aparecendo de novo depois (ô mundo pequeno) e até mesmo mudando de lado. Você vai ver como Eichiro Oda é um mestre em reciclagem de personagens. Fora esses núcleos ainda há outras organizações e pessoas em cada saga e em cada ilha que aparecem para sacudir a história, que é e ao mesmo tempo não é linear.

One piece 3

Cada ilha (ou saga) geralmente encerra os acontecimentos, quase como uma história fechada, mas que fazem parte de um todo que vai se construindo e vai crescendo conforme você vai desvendando segredos do mundo de One Piece e sua história. O que há por trás do passado de Ruffy? Quais foram as verdadeiras intenções de Gold Roger? O que realmente aconteceu no “Século Perdido”, período da história cujos registros foram completamente apagados? O que o Governo Mundial realmente quer? Ou, a pergunta que incomoda a maioria dos personagens: existe mesmo um One Piece? Você pode apostar que tudo isso está conectado, e você vai querer ir cada vez mais e mais fundo para descobrir.

Como eu já falei, a história chegou a um ponto em que eu não quero que acabe, porque só está ficando cada vez melhor (Outra série que me deixa com esse sentimento é How I Met Your Mother). E acabo de perceber que se continuar escrevendo vou ficar aqui pra sempre, porque amo One Piece demais! Com certeza se tornou, pra mim, a história definitiva do mundo da pirataria (Piratas do Caribe é o c*****!!!).

one piece wanted

Depois de muitos anos parado, o mangá de One Piece voltou a ser publicado no Brasil pela Panini, que também está disponibilizando a assinatura. Nem precisa dizer que eu já assinei, não é? Corra e clique aqui para garantir sua assinatura, ou então vá a uma banca e dê uma chance para essa série. Eu garanto que você não vai se arrepender. 🙂

One piece the mark

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