Vendas

Ouvi essa história durante a preparação para uma vaga de vendedor publicitário em uma editora.

O nosso gerente era um simpático profissional, de uma felicidade doce, densa e enjoativa como xarope pra tosse. Claro, o trabalho no ramo envolve muito mais frustrações que recompensas, então o cara transformou os treinamentos de novos empregados em sessões de autoajuda pontuados por piadas no pior estilo stand up.

Segundo ele, a empresa não vendia só espaços publicitários para pequenos comerciantes, vendia margens de crescimento! As vantagens? Não são indefinidas, mas sim inimagináveis! Oportunidade? Essa é única! Você nunca mais a verá passar! Mas quem sabe eu consiga segurar o preço até amanhã?

“Acorde todo dia com a mesma vontade de trabalhar! Acene para todos no caminho, encare as desventuras com bom humor e nunca, mas nunca deixe de sorrir!”

Ele tinha um chicote esporado com o qual dominava as palavras feito a um bando de ovelhas tremeliquentas. Não sei se era um talento ou uma habilidade adquirida, mas costumava ganhar uma grana extra dando palestras em companhias, simpósios e clubes. Acostumado a ter a plateia na ponta dos dedos, sempre observando as reações e o feeling do público como um bom comediante faria, certo dia percebeu um homem sério que o assistia da primeira fila. O auditório estava lotado e as gargalhadas subiam pelo ar em ondas violentas como o mar de ressaca. O mesmo homem escutava atento a todas as anedotas; fazia anotações vez ou outra e concordava elegantemente com a cabeça. Porém, seu semblante não deixava passar qualquer expressão mais descontraída que fosse. Isso feriu o orgulho do nosso querido gerente que recebeu de si próprio a pequena missão de tirar o tal moço de seu absurdo estado de seriedade. Continuar lendo

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Azul é a Cor Mais Quente, Frozen e a metáfora da Libertação Sexual

“Disney, você está fazendo isto certo!” – esta foi minha sensação ao assistir Frozen pela 1ª vez.

Tive a sorte de ver em inglês, e logo de cara me apaixonar perdidamente (como todo mundo) pela “Let it Go” – na voz absurda da estrela da Broadway Idina Menzel (para quem vê Glee, é a atriz que faz a mãe da Rachel). Apesar de alguns furinhos no roteiro (que não comprometem tanto assim o resultado final) o filme todo é muito gostoso de assistir, um novo marco na história da Disney e, esperamos todos, apenas um de muitos bons musicais dessa nova geração-3D do estúdio.

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Eu já estava com todas as músicas no celular quando assisti de novo, com um amigo. A essa altura nós já estávamos fazendo brincadeiras do tipo “Nossa, parece que a Elsa tá saindo do armário, não é?”. Mas a coisa se intensificou quando logo depois de Frozen, resolvemos assistir “Azul é a Cor mais Quente” (“La vie d’Adèle”, no original).

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Trailer do dia: The English Teacher

Este filme estrelado pela Julianne Moore (Ensaio Sobre a Cegueira, As Horas) foi um dos vários que eu parei pra assistir essa semana, e um dos poucos que me chamaram a atenção. Acho que porque tem bastante tempo que eu não assisto uma comédia, então senti a súbita vontade de assistir algo um pouco mais leve pra variar (Depois de Irreversível, realmente se torna necessário dar uma suavizada… haha).  Continuar lendo

Filmes 2013 – Django Unchained

O mais esperado dos esperados!

Quem me conhece sabe que eu sou muito fã do Tarantino. Então, só por ser um filme dele, Django Unchained (Django Livre, na versão brasileira) está no topo da minha lista de “preciso ver isso no cinema” em 2013.

Quentim TarantinoE o que esperar do mais esperado? Quem conhece o cara, sabe: as frases de efeito (aquelas tiradas sensacionais que você lembra pra sempre – “Say ‘what’ again, motherfucker”), bons diálogos (como o do “Like a Virgin” em Cães de Aluguel ou o da “mitologia do Super-homem” em Kill Bill), trilha sonora inusitada, cronologia invertida (isso eu não sei se ele vai usar em Django), elenco impecável, roteiro imprevisível. E, é claro, muita irreverência e uns bons litros de sangue. Continuar lendo

Eternos Clássicos #2 – O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Apesar de relativamente recente, acho que esse filme merece estar na categoria “Eternos Clássicos”, além de entrar na minha série particular de “Por que diabos eu nunca assisti isso antes?”. Eu costumava ver aos montes os bottons da Amélie, não coincidentemente em tons de vermelho e verde (paleta predominante no filme), com a personagem de cabelinho curto, vista de cima, olhando pra você sob a perspectiva de uma lente grande-angular. Pois bem, depois de cansar de tanto ver tais bottons, decidi baixar o filme e ele ficou lá, no meio de todos aqueles filmes que a gente baixa e deixa pra ver sei lá quando. Até que semana passada, na minha aula de “Design e Gênese”, a professora levou alguns filmes para falar sobre composição; como a fotografia de alguns filmes se inspiram em estéticas renascentistas, barrocas, etc. Entre eles estava ela: Amélie Poulain. E eu fui pra casa com mais vontade do que nunca de assistir. Continuar lendo

Especial Oscar 2012: Resenha “O artista”

“O artista” é uma delícia de filme. E eu ainda estou tentando achar outro adjetivo que o defina, mas não consigo. Contando com a cativante atuação dos indicados ao Oscar de Melhor Ator Jean Dujardin e Melhor Atriz Coadjuvante Bérénice Bejo, o filme tem o mesmo estilo do cinema mudo dos anos 20 e 30, e a história mostra como este perde seu espaço com o surgimento do cinema falado.